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Como de costume postarei meu brainstorm sobre a exposição na qual estou trabalhando agora. De fato, estou postando isso um pouco atrazada… mas o lado bom é que a exposição já abriu e vc já pode vir conferir do que estou falando.  “Eu vou no MAES ver a Tarsila” huauhauh

Brainstorm exposição “Tarsila sobre papel”

Modernismo

– No inicio do século XX, tanto na Europa quanto no Brasil é visível a tentativa de renovação artística e cultural. O mundo é marcado por profundas crises e por duas guerras mundiais, o que acarreta transformações na vida política e econômica.

– No período entre guerras surgem às vanguardas na Europa e no Brasil o Modernismo “se inicia” em 22 tendo como marco a semana de Arte Moderna. Na década de 1920 há de se considerar o cenário Brasileiro em que foi realizada a Semana de Arte Moderna: havia um grande movimento de industrialização, migração maciça de estrangeiros e urbanização, que são

– Rompimento com o parnasianismo, o simbolismo e a arte acadêmica. A defesa de um novo ponto de vista estético e o compromisso com a independência cultural do país fazem do modernismo sinônimo de “estilo novo”, diretamente associado à produção realizada sob a influência de 1922.

– Artistas comprometidos com a renovação estética, beneficiada pelo contato estreito com as vanguardas européias (cubismo, futurismo, surrealismo etc.).

– Forte interesse pelas questões nacionais, que ganham acento destacado a partir da década de 1930, quando os ideais de 1922 se difundem e se normalizam.

– Surgem varias vertentes primitivistas.

– Tarsila do Amaral não esteve presente ao evento de 1922, o que não tira o seu lugar de grande expoente do modernismo brasileiro. Associando a experiência na França onde estudou e teve contato com grandes pintores aos temas nacionais, a pintora produz uma obra.

Tarsila

– Tarsila do Amaral (Capivari SP 1886 – São Paulo SP 1973). Pintora, desenhista.

– Formação com Pedro Alexandrino em 1910, desenhos considerados apenas como etapa do processo de aprendizado. 

– Paris em 1920. Entra em contato com a produção européia e aperfeiçoar-se. Ingressa primeiro na Académie Julian, depois tem aulas com Emile Renard.

– Em 22 regressa ao Brasil e se integra com os intelectuais do grupo modernista. Faz parte do “grupo dos cinco” juntamente com Anita Malfatti, Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti del Picchia. Embora não tenha sido participante da “Semana de 22” integra-se ao Modernismo que surgia no Brasil.

– Em 23 estuda com Gleizes e Léger, cubistas. Mantém estreita amizade com Blaise Cendrars.

– Apesar de não aderir ao movimento em sua ortodoxia foi por ele tocada, grande influencia de Cendrars nesse ponto e seu gosto pelo mágico.

– Com a quebra da bolsa em 29 sua fortuna e padrão de vida diminuem consideravelmente. O que vai influenciar no clima de sua produção, inclusive começa a ilustrar.

– De 1936 a 1952, trabalha como colunista nos Diários Associados.

– Impõe imagens inusitadas a um país que não aceita alterações comportamentais.

-Reinvenção do nacional através da linguagem universal que se tornavam o cubismo e suas ramificações por todo o planeta.

 Fases

– Pre “pau-brasil” Em contato com Legér, a quem foi apresentada por Cendrars. Observava em seus nus cubistas, uma luminosidade antes inexistente. As formas chapadas são luminosas pela própria seleção cromática. Elementos geométricos demonstram o desejo pela abstração.

– Fase “pau-brasil“, caracterizada pelas paisagens nativas e figurações líricas.

– Período antropofágico, 1927-1929, que eclode com Abaporu, 1928. A redução de cores e de elementos, as imagens oníricas e a atmosfera surrealista. exemplo, Urutu, O Touro e O Sono, de 1928) marcam os traços essenciais desse momento.

– Em 1931 Viaja para a União Soviética no ano seguinte e expõe em Moscou. A partir de 1933, seu trabalho ganha uma aparência mais realista e há uma guinada social na obra de Tarsila. Influenciada pela mobilização socialista, pinta quadros como Operários (1933) e 2ª Classe (1933), preocupados com as mazelas sociais.

         

Sobre papel

– Observar os desenhos nos traz novas possibilidades de abordagem do seu processo criativo.

– Produziu cerca de 1700 obras sobre papel. Desenho como base do aprendizado como artista. “Quando não puder desenhar escreva seu nome 20 vezes”

– Pureza de tratamento revela objetividade. É possível prever pelo desenho o que será volume, no que se transformará em pintura.

– Disciplina nos processos criativos devido a formação clássica, acadêmica. Tarsila desenhava todos os dias como forma de anotação e desenvolvimento do seu trabalho.

– Palmeiras são o elemento de síntese do trabalho.

– Desenho como base para sua produção posterior.

– A partir de sua experiência com Lothe seu desenho passa a ser captação da estrutura compositória, economia de elementos e clarificação das imagens que saltariam da tela.

– Tarsila em viagem conseguia rapidamente captar o essencial, sinteticamente transmitir o todo sem perder na emoção.

– A tradição do desenho e esse acervo são importantes para a “leitura” do modernismo.

– Serie Oriente Médio: Atmosfera intimista, meticulosidade na linha, “suspensa” horizontal como de um compositor musical, lápis guiado por uma força interior. Traço fino, imagens envoltas numa nevoa de sono.

– Atuação como ilustradoras de livros de novelas e poemas a partir de 1940. Ilustrações mantêm a linearidade fluida, imagens claras, sem insinuação de sombra ou volume. Reaproveitamento do vocabulário reduzido adiciona elementos novos, uso do decalque quase como vicio.

– Nos últimos anos a água ocupa o primeiro plano das composições e se torna um elemento recorrente e central.

 E pra encerrar Mario de Andrade “Desenhos são para a gente folhear,são para serem lidos que nem poesia, são haicais, são hubaes, são quadrinhos e sonetos”

Paisagem com cinco palmeiras I, c. 1928

Rodes, 1926