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21 anos e eu ainda não me acostumei com as coisas ditas óbvias e triviais do mundo. E quando pra mim tudo perder a mágia, serei adulta, triste , quase uma múmia. Conversávamos e conversamos muitas vezes sobre isso.

Aproveitando que alguns escreveram, juntei duas coisas e… colcha de retalhos pra vocês:

O texto que segue é do livro “O Tetro Mágico em palavras” da MairaViana. “Sempre pela primeira vez” é baseado em de “De ontem em diante”.

É como se eu nascesse todo dia. Não é incrível que existam bananeiras, abacateiros e jabuticabeiras? De onde será que veio tudo isso? Todo dia eu me faço as mesmas perguntas.
É como se eu estivesse vendo as coisas do mundo sempre pela primeira vez. Os vales, a chuva, os mares. A terra, os animais e as floretas. O fogo, o tempo e a claridade. Sem falar no céu com todas as suas estrelas e na lua com todas as suas fases.
Como surgiu tudo isso? Os meus porquês são palavras incontáveis.
O sentimento de absurdo me invade quando reparo na arquitetura humana. O sistema nervoso, veias e artérias, músculos e ossos, cérebro e coração. Bocas e braços, narizes e olhos, ouvidos e mãos. O ser humano é feito de uma perfeição absurda. Realmente inexplicável. Me admiro o tempo inteiro e acredito que nunca vou me acostumar com as coisas do mundo.
Quem criou tudo isso? A resposta óbvia me remete a Deus e eu pergunto: Se Deus criou tudo, quem criou Deus? Se tudo surgiu dele, de onde ele surgiu então? As perguntas continuam sendo as mesmas, só muda o sujeito da oração.
Eu vejo as coisas do mundo como quem assiste à um espetáculo de mágica. Num grande truque, o belo coelho branco surge de dentro da cartola até então vazia.
Como assim? Não sei. Mas quero muito saber. Todo dia eu acordo buscando saber quem sou e de onde vem o mundo. E me faço as mesmas perguntas. É como se eu estivesse vendo as coisas do mundo sempre pela primeira vez. É como se eu nascesse de novo, todo dia.”

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De uma outra perspectiva, mas ainda sobre a vida não ser naturalizada, Bertolt Brecht:

Nada É Impossível De Mudar

Desconfiai do mais trivial ,
na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente:
não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta,
de confusão organizada, de arbitrariedade consciente,
de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.



Estava aqui vendo esse vídeo ótimo do Chico e Caetano.

E me lembrou…

Meu namoro… que é praticamente fake, mas que eu gosto assim.  E não é que essa música é uma descrição perfeita de nós.. huauhauha

“Onde queres ternura eu sou tesão..

Onde queres o lar, revolução..

e onde queres romance, rock’nroll…

..tudo métrica e rima e nunca dor.. “

ps. namoro militante.. huauhau


De vez enquanto ganho um beijo daqueles que me tiram do chão, que faz minhas borboletas voarem. De vez em sempre quero esses beijos. Mas eles nunca ficam, eu mesmo prefiro deixa-los ir. Mais do que as coisas ou pessoas, eu amo a mobilidade delas. E sossego, pois já diria o grande Carlos:

“… sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.”

Quando ouço..

Fico assim querendo aconchego. Mas sei que aconchego custa caro. Que quando se tem, o preço é  uma grande dedicação e uma parte de alma. O que é justo, mas eu quase nunca tenho pra dar.

Eu sigo incompleta, mas de alguma forma satisfeita. Não querendo possuir nada, nem ninguém… tenho tudo o que quero.  Ainda assim me pergunto sobre o que virá.. se eu saberei e se eu quero algum dia ficar, se farei um bom dueto, se terei um pas-de-deux… “Choro café e você chora leite!”


Na estação final do metro de Porto Alegre a estação de São Leopoldo tem Mondrians nos muros de tijolinhos.

Piet Cornelis Mondrian também veio de uma família calvinista como eu. Principal nome do Neoplasticismo reduzia a pintura a elementos mais puros. “Basicão” assim…

Não sei.  Mas ainda duvido se amo ou odeio os Mondrians. E é mais porque eu sei que pintura não me da tesão.

Mas vá lá… que o Yves Saint Laurent se apropria e  muito me atrai…


conexo (cs)
(latim connexus, -a, -um)

adj.
adj.
1. Que tem conexão. = ligado ≠ desligado
2. Que tem nexo. ≠ incoerente
3. Que tem uma relação ou uma correlação. ≠ desconexo
4. Bot. Diz-se das folhas cujos pecíolos opostos estão unidos pela base.

Fico pensando em coisas…  as vezes me parece desconexo. Mas não é, sabe quando vc ve uma coisa que lembra outra, que parece com uma terceira e assim por diante. Teias de pensamentos que te fazem falar da quarta coisa que ninguem entende como vc chegou naquele assunto..  pois é. É isso, com vocês minha coluna de posts tipo assim… ahhuahuaua ai vai…