Eu inventei que te conheço desde criança, que um dia passeamos a tarde e havia balões coloridos. Vivíamos nos anos hippies e eu usava flores para decorar os cabelos (como você pôde amar alguém tão brega?). Ficávamos por ai dançando a era de aquário que em breve chegaria e não haveria barbárie que não se transformaria em corações, purpurina, flores e maconha. Ah Aquário… nos livre da luta de classes e das obrigações com a revolução. Desejei, não aconteceu. Enfrentamos o mundo porque pra nós não está certo. Enquanto o mais fraco for explorado, prosseguiremos.

Imaginei todas nossas fotos, os livros, as poesias e até os origamis que dobramos. Eu corria pro seu colo como inevitávelmente o rio corre para o mar. Praia, barco, transas, Rio, sorvetes, porres, faculdade e até fizemos várias tatuagens. Tivemos filhos… dezenas. Orientais, loiros, morenos, ruivos, negros. Nós queríamos todos os filhos do mundo. E quando a gente brigava, eles choravam e o céu chovia.

E todo dia descansando exausta ao seu lado eu ria só de te olhar, de sentir que o coração bate forte por você até hoje. Por toda uma estória eu te amei e foi lindo de “pés descalços nossa vida toda de paz e amor”.

 

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