Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos, nascido em 1960, São Paulo. Formação filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Quis ser escritor, músico e foi editor de revista.

Começou a pintar em 1983, quando funda o ateliê Casa 7.

(Casa7: O trabalho com tinta industrial sobre grandes folhas de papel, em geral papel kraft, torna-se uma marca dos artistas da Casa 7. “Em meados da década de 80”, afirma Lorenzo Mammì, “a Casa 7 representou o ingresso no Brasil das poéticas neo-expressionistas, que já há alguns anos dominavam na Europa”. Um neo-expressionismo temperado pelo humor é o que caracteriza essa nova pintura. Na década de 1980 a Casa7 assume junto com outros artistas o compromisso forte com a retomada da pintura. As grandes dimensões dos trabalhos, livres dos chassis, e a ênfase no gesto pictórico levam alguns estudiosos a falar em um novo informalismo experimentado por toda essa geração. )

Nuno é da geração 80 que volta a ser emocional, gestual, físico. “os jovens artistas de hoje descrêem da política e do futuro (..) na medida em que não estão preocupados com o futuro, investem no presente, no prazer, nos materiais precários, realizam obras que não querem a eternidade dos museus nem a glória póstuma” Frederico Morais.

Participou da 18ª Bienal Internacional de São Paulo (1985) durante o período de redemocratização brasileira. Essa bienal fica marcada por gerar grande polêmica no mundo artístico.

Escultor, pintor, desenhista, cenógrafo, ensaísta, videomaker, compositor. Trabalha com gravura, pintura, fotografia, instalação, poesia e vídeo.

Ele usa todo tipo de suportes e materiais em suas obras. Mistura parafina, vaselina, terebintina, feltro, papel, cera, linhaça, barro, sal, pano, corda, lâmina de alumínio, esmalte sintético, mármore, vidro, breu.

Influencias plásticas, literárias, musicais sempre estão muito presentes na obra de Nuno. É como se em toda obra ele visitasse, citasse, homenageasse algum outro artista ou alguma outra linguagem artística.

São influencias de Nuno artistas plásticos como por ex: Beuys, Goeldi, Pollock, Kiefer, Baselitz, Helio Oiticica…

Influencias literárias: Drummond, Dostoievisk, Tchekov…

Influencias musicais: Nelson Cavaquinho, Cartola, Caetano, Paulinho da Viola, Caymmi, Tom Jobin..

As obras de Nuno me parecem ser sempre sobre a transformação, metamorfose, o tempo. 

Nuno está bem localizado no seu tempo. Fala sobre a sociedade, sobre acontecimentos próprios do seu tempo e sobre o que o cerca inúmeras vezes. Mas também deixa transparecer que o seu tempo é passageiro e que as transformações estão sempre acontecendo.

Os materiais e formas vazam da tela, as esculturas se desfazem e se transformam durante a exposição. “A matéria qualquer que seja é provocada a vazar do seu continente”

 “Eloqüência plástica ante uma contestação poética”

Característica estrutural do trabalho.

Em “Só lâmina”

Os 11 desenhos são baseados no poema “Uma faca, só lâmina” de João Cabral de Melo Neto.  

As formas são cortantes, semicirculares e crescentes.

Duas retas e duas curvas.

 Manifestam destreza no corte e o raciocínio frio e calculado da lâmina, ao mesmo tempo que, devido a mistura de materiais e justaposição dos mesmos tem-se a impressão de irracionalidade.

Só se pode definir como desenho essas obras porque o próprio autor as chama assim, além de o comparativo ser com outras obras do próprio artista que se estruturam mais enquanto pintura.

Carolina é um multiplo que se utiliza de som, são 5h de dialogo.

É um dialogo um sujeito contando para outro uma historia sobre envolvimento amoroso com Carolina. Mas a cidade fala junto se manifesta, responde “presente”.

Só Carolina não responde.

Nuno usa a concessão poética para que “Carolina” fale do real, do vivo, do íntimo e obsceno.

Em algum momento da obra o conteúdo já não importa, importa a vibração do som, o ruído e a palavra falada.

Luz negra é um filme que retrata Nuno enterrando uma caixa de som. Da caixa sai a voz de Nelson Cavaquinho cantando Juízo Final.

Ao mesmo tempo em que a voz é enterrada e é deformado o som por isso, deixa-se ouvir o canto de Nelson.

Enterrasse o cantor, mas a voz não para de ecoar.

 

Midiã Fraga

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