A escolha dele tinha a ver com vermelho,

verde, ar puro, noites tranqüilas e grandes revoluções.

Chegou com aquele cheiro de pão de queijo.

Jeito de interior que nem bem sorri

e já discretamente finge que não viu.

.

Pobre rapaz, estava no meu terreno

Onde tudo é preto e branco

Onde não há nada que não possa ser codificado,

E toda musica é sempre barulhenta e esquisita.

Mas disfarçava muito bem o que pra ele era desconfortável

Despertou-me assim curiosidade e fiz questão de conhecê-lo.

.

Com aqueles olhos de menino a me fitar

ele disse já estar ali muito antes de eu perceber

Quis pra mim sua placidez.

.

E em outro aspecto eu que era a sem coração, me mostro amena

Trocamos então de lugar e percebo que forjado pelos dias crus

eram quase ásperos os seus sentidos.

Dedico-te então meu gosto pela poesia

E se assim, se de fato penetro sua couraça de objetividade

meus olhos incontrolavelmente sorriem.

.

Agora, mesmo agitada, espero calmamente você chegar.

Ou pode ser que nessa minha (in)decisão eu corra

para dos seus braços fazer meu ninho.

.

Pobre mocinha,

será que sobreviverá ao coração do desconhecido?

.

.

“Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,
Mas a poesia (inexplicável) da vida.”

Carlos Drummond de Andrade

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