Penso que quando as mudanças são profundas é preciso ser bastante analítico para que não se perca o que é essencial. Quando essas mudanças profundas são internas, ai então é preciso até um pouco de apego.

Mas o que será de mim se eu giro para um lado e o mundo roda para o outro?! Há uma angústia nascida, amamentada e ninada que deságua em pó e consome minha face lisa transformando tudo em ruga. O que será de mim?!

As raras horas que tenho para pensar só em mim/para mim, esse pouco tempo em que não me exigem respostas rápidas… avalio. Pondero o quanto mudei e se realmente “esse mundo é todo meu”. Não é nada fácil viu!?

Em meio ao furacão me agarro forte, como quem não tem outra saída… me apego ao permanente cheiro flor de minha avó, ao abraço protetor de quem me ama, a aquela foto de nós 4, aos olhos iluminados de minhas irmãs, ao meu filme preferido, a qualquer detalhe menos importante que eu guardo na memória. Fecho os olhos e já quero fotografar. Me agarro ao sorriso e ao nariz dele, que me faz sorrir e quase consegue me sufocar.

E enquanto eu tento mudar o mundo e o mundo me muda… vou me valendo de qualquer coisa mais sensível, fragil e minuciosa para não me perder de mim.

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